Nosso capital e nosso futuro – em nossas mãos (1)

Por Nelmara Arbex – Maio 2010

Depois de andar pelo mundo, cheguei a uma conclusão que se reforça a cada ano: nós, brasileiros, não somos educados para saber o capital que temos, a responsabilidade que temos sobre esse capital imenso e como ele pode ser usado para o nosso futuro.

Trata-se de um “buraco educacional” profundo em todas as escolas em todos os níveis e em todas as classes sociais. E isso tem custado caro a todos nós e pode custar o nosso futuro e dos nossos filhos e netos. E não somente um futuro sustentável, mas qualquer futuro.

A razão é que esse “buraco educacional” me parece ter consequências profundas na forma como votamos, como nos candidatamos, como cuidamos das cidades e dos campos, como cuidamos das pessoas e de tudo o que existe ao seu redor – escolas, serviços de saúde, de transporte, respeito, cultura. E influencia definitivamente na maneira como utilizamos tudo o que o país tem para construir nosso futuro – o futuro de ricos e pobres.

Tem jeito de mudar isto? Talvez sim.

Pense bem: se você um dia entende que o nosso capital natural – esta imensidão de florestas, animais, áreas degradadas, reservas florestais, os rios, os peixes dentro deles, tudo – também é seu e está sob sua responsabilidade. E se você se sente corresponsável pela forma como as pessoas e as empresas urbanas e rurais decidem sobre esse capital ambiental e lidam com ele.

Pense de novo se você se sente corresponsável pelo nosso capital urbano, por como as cidades se desenvolvem, por aquelas ruas lindas, por aquelas ruas sujas, pela pracinha abandonada. Pense se você se sente corresponsável pela qualidade do ensino da escola pública e dos serviços públicos, ou pelo acesso da população ao conhecimento em geral, pela criação das profissões futuras que as pessoas poderiam exercer.

Agora pense em ações. Como você trataria a Amazônia se tivesse o poder de decidir o que aconteceria com ela? E as matas virgens que restaram? E as reservas de água? E as espécies em extinção que só nós temos? Onde morariam as pessoas de baixa renda? Que tipo de transporte público você sonha para todos? Que setores industriais poderiam ser desenvolvidos? Como vamos produzir energia no futuro?

Pensando assim, cheguei à conclusão de que o primeiro passo seria entender onde mesmo estamos para começarmos a exercitar como queremos utilizar esse capital.

Viver num país como a Holanda me provoca esse tipo de pensamento, já que este país, com área 205 vezes menor que a do Brasil, é também a 11ª economia do planeta, entre outros atributos.

O que eles têm então para gerar tudo isto? Cérebros! Gente, gente e gente. O foco da Holanda – dos governos e de seus cidadãos – são as pessoas e a educação para que elas continuem a cuidar do país e fazer com que ele e sua gente permaneçam existindo e vivendo bem.

Inspirada por esse e muitos outros fatos, iniciei aqui uma série de artigos sobre nosso capital e provocações sobre como utilizá-lo para nosso futuro.

Preparado? Então dê uma olhada neles.

Pense: qual o nosso capital econômico-financeiro?

Pense: o que queremos fazer com nosso capital agrário e ambiental?

Pense: qual o poder de 190 milhões de brasileiros bem-educados e pensando juntos para solucionar problemas?

regularbomótimo
Loading ... Loading ...