Pense: qual o nosso capital econômico-financeiro? (2)

Por Nelmara Arbex – Maio 2010

Uma delícia olhar o mundo através dos olhos dos índices econômicos, sociais e ambientais e pensar o que isso diz sobre o nosso futuro brasileiro. Esse foi meu exercício – ler e escolher índices que revelam nosso futuro nas cerca de 250 páginas da publicação Pocket World in Figures-2010, lançada pelo The Economist.

Nesse mar de números e índices, escolhi alguns deles sobre nosso capital econômico-financeiro, que apresento aqui para pensarmos juntos. Vejamos:

Estamos entre as 10 maiores economias do mundo segundo o Produto Interno Bruto (PIB), sendo que 6% do total é gerado por atividades agropecuárias, 28% pela indústria e 66% pelos serviços. Se passamos para a lista das maiores economias segundo o PIB dividido pelo número de habitantes, não chegamos entre os primeiros 70, assim como também não estamos na lista dos países cuja população tem alto poder de compra. Somos também o país com a 5ª maior dívida externa.

A brasileira Petrobras aparece logo depois da gigante Americana Wal-Mart como 6ª maior empresa do planeta, os brasileiros Itaú e Bradesco, respectivamente, como o 12º e o 22º maiores bancos do mundo.

Que conclusões podemos tirar destes números para o nosso futuro? Quais as chances que temos para construir um futuro sustentável?

Pensando no tripé da sustentabilidade – economia+meio ambiente+pessoas – e em como essas três partes devem interagir para beneficiarem-se e protegerem-se mutuamente de forma a garantir um futuro sustentável para a população, temos boas chances: a natureza nos dá muito e não temos uma população que beira as populações de outras economias, como China, Índia e EUA. Mas a chave parece estar em como gerenciamos e planejamos usar esses recursos.

Nós sabemos, sim, criar empresas e fazê-las crescer – veja só que temos empresas entre as maiores do planeta e elas geram 28% da 5ª maior economia do mundo (a nossa)! Mas essa riqueza não ajuda a melhorar o acesso da população ao capital, como vemos no índice de poder de compra da população, que na 5ª economia não chega a estar entre os 70 primeiros do mundo.

O acesso ao capital não é importante para que aumentemos o poder de compra indiscriminadamente – pois assim continuaríamos no atual modelo falido, em que produzir e comprar mais, como se não tivéssemos limites, fosse a solução –, mas para entendermos como nossos mecanismos de distribuição de riqueza e benefícios funcionam. Eles não funcionam aqui.

Quem deveria fazê-los funcionar? Os estados, os candidatos a eleições e os eleitores? O que você acha?

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