Pense: o que queremos fazer com nosso capital agrário e ambiental? (3)

Por Nelmara Arbex – Maio 2010

Mais uma vez, mergulho os olhos nas páginas da publicação Pocket World in Figures-2010, lançada pelo The Economist, para escolher índices econômicos, sociais e ambientais sobre o Brasil e pensar o que isso diz sobre o nosso futuro.

Escolhi alguns sobre nosso capital agrário e ambiental, que apresento aqui para pensarmos juntos. Vejamos:

Com 7% do total de nosso território considerado área arável, estamos em 5º na produção agrícola mundial e claramente entre os maiores produtores de cereais, carne e frutas do planeta. O Brasil segue sendo o campeão mundial de produção de açúcar e café, e não estamos mal na produção de cacau, sementes oleaginosas e de algodão.

Dentro do novíssimo Índice de Desempenho Ambiental – baseado em uma série de fatores, que incluem saúde do meio ambiente, biodiversidade, poluição do ar, uso da água, métodos de desenvolvimento da agricultura e políticas para redução de emissões de gases de efeito estufa –, aparecemos lá embaixo, no 34º lugar, apesar de termos a maior reserva de água potável do planeta e a 5ª área territorial.

Estamos em 7º lugar entre os países que mais poluem suas águas. Somente 15% da energia que utilizamos é limpa, e estamos entre os 20 países que mais emitem dióxido de carbono no mundo.

Pensando no tripé da sustentabilidade (ou como pessoas+ economia+ meio-ambiente deveriam se desenvolver e se reforçar ao mesmo tempo):

Somos produtores de carne e, com exceção das sementes oleaginosas e frutas, temos ainda importante parte da nossa matriz de produção agrícola baseada na mesma matriz dos tempos da colônia – algodão, açúcar, café e cacau.

Todas essas culturas são intensas em exaustão do solo e uso de água, recursos que a natureza nos dá em abundância, mas que nós poluímos intensamente, demonstrando despreparo para lidar com eles.

De forma interessante, a Time Magazine publicou uma lista de 10 ideias que estão mudando o mundo. Entre elas está o “aluguel de um país”. E discute como países com poucos recursos estão fazendo contrato de longo prazo para produzir alimentos para seus cidadãos, utilizando as terras e as águas dos países que têm esses recursos.

Quem deveria cuidar do gerenciamento desse recurso? O Estado com as universidades e as empresas? O que você acha?

Caso muito parecido é o da emissão de gases de efeito estufa. Apesar de uma matriz limpa de 15%, nada desprezível para nosso tamanho de economia, seguimos entre os mais poluentes. Não temos projeto para redução de emissões.

Quem deveria tê-lo? O Estado? As empresas? Os cidadãos? Todos nós juntos?

regularbomótimo
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