Pense: qual o poder de 190 milhões de brasileiros bem-educados e pensando juntos para solucionar problemas? (4)

Por Nelmara Arbex – Maio 2010

Descobri nas páginas da publicação Pocket World in Figures-2010, lançada pelo The Economist, o Índice de Desenvolvimento Humano e outros indicadores que demonstram nossa capacidade de usar a criatividade e desenvolver soluções.

Vejamos o que eles nos revelam sobre nosso capital humano, intelectual e criativo:

Temos a 5ª população mundial, com 191 milhões de habitantes.

Na lista de Índice de Desenvolvimento Humano desenvolvido pela ONU em 1991 – que inclui escolaridade de adultos, expectativa de vida e níveis salariais –, ficamos atrás de Cuba, Líbia, Venezuela e Malásia, que é o último país do recorte feito pela publicação, em 60º lugar.

Temos 90% de adultos alfabetizados e 14 computadores para cada 100 habitantes, mas menos de 8 têm acesso à internet. Mesmo assim, somos o 15º em compras de música pela internet. Temos 76 endereços de internet (hosts) para cada 1.000 habitantes, o que nos faz o 5º maior criador de sites do mundo.

Não aparecemos entre os países com bom índice de interação criativa entre negócios e ciências, nem temos menção na lista de países que registram patentes, apesar de sermos o 18º do planeta em total de investimentos em pesquisa e desenvolvimento (RoI alert!).

Nenhuma universidade brasileira aparece na lista das 35 melhores do mundo.

Para se ter uma leve ideia do nosso “capital moral”, o Brasil não está entre os 20 mais nem entre os 20 menos corruptos países do planeta.

Os índices que escolhi para analisar nosso capital humano são aqueles que me parecem dizer algo sobre a nossa capacidade de educar e criar soluções práticas utilizando conhecimento coletivo – através da internet –, que sejam percebidas como inovadoras a ponto de se transformarem em negócios (veja no blog a postagem Inteligência Coletiva).

Aqui também não parece que conseguimos transformar a conhecida criatividade e adaptabilidade do brasileiro em muito mais do que um charme individual.

Com um alto índice oficial de escolaridade de adultos (90%), a conexão cotidiana com o conhecimento mundial está longe de ser alta, pior ainda se considerarmos que cerca de 50% da população do país é urbana, para quem o acesso seria supostamente mais fácil. Mesmo assim, essa pequena comunidade de conectados cria uma das maiores redes de web sites do planeta.

Que aconteceria com o Brasil se todos tivessem fácil acesso à internet? E fossem educados para utilizá-la intensamente? E utilizassem todo esse conhecimento para gerar soluções?

Talvez um pouco disso fosse suficiente para reverter o pouco eficiente – e alto – investimento em pesquisa e desenvolvimento que o país faz.

Só de pensar quão promissora essa ideia é, quanta educação com conteúdo e forma de século XXI isso poderia promover, fico logo com vontade de perguntar: e quem pode dar um jeito nisso?

regularbomótimo
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