Consumo consciente – genial!

Por Nelmara Arbex – Maio 2010

Como seres urbanos de sociedades industrializadas, nós compramos. O ato de comprar é peca fundamental de toda a construção e funcionamento da economia e desenvolvimento da sociedade moderna. A produção de larga escala, os serviços, o pequeno negócio, o mercado financeiro, os empregos, o marketing e muito mais estão intrinsecamente ligados ao ato do consumo.

Quase tudo que vivenciamos no nosso cotidiano tem a intenção de ganhar nossas cabeças e corações de consumidores para escolhermos determinados produtos. E este que parece um jogo bem bolado de sedução, na verdade nos atrai para realizarmos algo potencialmente destruidor, como temos testemunhado nas ultimas décadas. Para fornecer-nos tudo o que desejamos -e precisamos- nossas reservas naturais têm sido impiedosamente destruídas e as diferenças sociais incrivelmente aumentadas.

Existe um movimento importante dentro do campo da sustentabilidade chamado “consumo consciente” (veja, por exemplo, Akatu). O movimento do consumo consciente se propõe a educar o consumidor para comprar de forma benéfica ao planeta e à sociedade. A lógica deste movimento tem dois pilares fundamentais: um é o de que o ato de comprar não vai diminuir nem parar, o outro é de que é possível utilizar este ato para proteger os recursos naturais e redistribuir renda.

Ideia de gênio! Isto significaria que a sociedade de consumo poderia transformar os processos produtivos e de distribuição de forma a ter resultados positivos, através do próprio consumo. No dia em que chegássemos a este ponto, consumir mais significaria proteger mais os recursos naturais e distribuir mais renda.

Deste movimento nasceram vários selos e certificações. Alguns internacionais como o FSC (Forest Stewardship  Council) ou o MSC (Maritime Stewardship Council), que se propõem a verificar o processo de produção de produtos florestais ou marítimos passo a passo, e garantir ao consumidor que o processo de produção nao é destrutivo em termos ambientais e em alguns aspectos sociais. No Brasil, vários selos e certificações estão no mercado (Ecocert, biodinâmico, orgânico, comercio justo, etc.)

Hoje a estratégia do consumo consciente é uma das poucas ferramentas que o consumidor pode utilizar para reduzir o impacto negativo do seu ato de consumo. Como o boicote a um produto ou a uma empresa, que também pode e deve ser utilizado para mandar recados certeiros a quem o mereça. Como consumidores podemos realmente decidir quem ficará rico com o nosso dinheiro.

Apesar de as regras de consumo consciente serem preciosas, a lógica de “quanto mais se compra, mais se preserva” tem limites. Esses limites também têm que ser discutidos.

Este é o tema do artigo Consumo consciente – limites!, também nesta seção.

Uma dica é dar uma olhada nesta boa ideia: Good Guide.

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