Coragem! Tudo é produto da nossa incrível imaginação

Por Nelmara Arbex – Março 2010

Quanto mesmo é responsabilidade de cada um de nós a situação do mundo em que vivemos? O que cada um de nós pode realmente fazer para garantir um presente e um futuro com boa qualidade de vida para todos? O que podemos fazer para garantir algo básico como, por exemplo, proteger as fontes de água?

O ambiente artificial que nós, humanos, criamos com nossa incrível imaginação,  para viver em segurança, afastados dos perigos cotidianos da vida selvagem, fez com que esquecêssemos que somos parte de um planeta, com complexas redes de nutrição e renovação para garantir a vida como conhecemos. Somos parte de tudo isso e responsáveis por manter a vida.

Como então protegê-la? Como proteger algo tão básico para a vida como o recurso água?

Algumas ações que podemos fazer como indivíduos são diretas: usar de maneira sábia a água disponível, checar e fazer as mudanças necessárias para que o esgoto de nossas áreas rurais, casas e apartamentos seja tratado antes de devolvido ao meio ambiente. Outras são indiretas: não comprar bens ou serviços que utilizam água em excesso para serem produzidos, que contaminam a água em seu processo de produção ou que levam restos não-biodegradáveis ao meio ambiente depois de usados. Nós, cidadãos, temos que pensar nisso porque nossos representantes nos governos não conseguem impor regras para que esse tipo de produto não seja desenvolvido (com frequência, baseado no argumento de que “as pessoas querem esses produtos”).  Fato é que a maior parte da contribuição de cada um para a destruição de recursos naturais, como a água, está relacionada a essas ações indiretas.

Isso significa que, antes de comprar qualquer produto, deveríamos levar em consideração várias questões. Por exemplo, quanta água é necessária para produzir uma TV? A água é devolvida limpa ao meio ambiente após a produção?

E no caso de um celular? Um carro? Um trator? Uma camisa? Um quilo de tomate? Um quilo de carne? Um caderno de escola? Uma goma de mascar? Um xampu? E todos os produtos que compramos para higiene pessoal ou limpeza de nossas casas, o que acontece quando eles são levados ao esgoto? O que ocorre com os restos de todos aqueles frascos que vemos no supermercado? São biodegradáveis os restos do nosso banho cheiroso ou da nossa cozinha limpinha? E se pensarmos na água utilizada para enviar um sms ou uma busca no Google? Hoje em dia não é possível obter essa informação. O que fazer então?

Podemos chegar rapidamente a algumas conclusões, uma delas é que processos que destroem recursos hídricos devem ser proibidos. Mas essa é uma medida de longo prazo.  Enquanto isso não é possível, o que podemos fazer é reduzir o consumo em geral ou escolher produtos que destroem menos.

No atual modelo de desenvolvimento, reduzir o consumo leva à redução da produção e de serviços, à diminuição dos lucros dos empresários, à eliminação de postos de trabalho, à queda na arrecadação de impostos pagos aos governos. Nada que seja muito popular, apesar de eficiente para proteger a vida sobre o planeta. (O desenvolvimento de uma sociedade é hoje medido pela quantidade do que ela produz e consome, seguindo um modelo que não protege a vida no planeta ou os cidadãos. Veja The Story of Stuff para uma didática explicação sobre isso).

A outra opção seria consumir o que destrói menos. Para isso, podemos utilizar os produtos certificados. Algumas certificações são dadas ao processo de produção de um bem ou serviço, outras à biodegradabilidade do produto e ao tratamento dos resíduos do processo de produção. Assim, teoricamente pelo menos, poderíamos consumir e proteger um pouco mais a vida ao mesmo tempo.

Mas, obviamente, como solução de longo prazo, temos que apoiar representantes governamentais e especialistas na proibição à produção de bens e serviços que coloquem em risco a existência da vida no planeta, e portanto as fontes de água. E as eleições estão ai.

Coragem! Afinal, se tudo isso foi criado por nós, humanos, temos que começar a pensar em como queremos que seja o mundo daqui para a frente. E refazê-lo.

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